quinta-feira, 12 de junho de 2014

Celulite

 Lipodistrofia , disfunção estética conhecida popularmente como celulite, afeta cerca 90% das mulheres após a puberdade. Acomete especialmente a região glútea, coxas ou braços e a presença de gordura localizada pode ou não estar associada.

Como não existe fisiopatogenia definida, também não é possível elaborar e definir protocolo para o tratamento. Muitos autores investigam a fisiopatologia e as hipóteses para origem são muitas.

Segundo Guirro (2002), as alterações causadas nos fibroblastos, especialmente pelo estímulo estrogênico, promovem modificações estruturais nas glicosaminoglicanas com hiperpolimerização aumentando seu poder hidrofílico e a pressão osmótica intersticial. Esse mecanismo gera acúmulo de líquido entre os adipócitos com consequente deposição de colágeno na matriz-intersticial.

A não uniformidade na deposição dessas fibras de colágeno acarreta esclerose irregular de tamanhos variados tanto ao redor dos adipócitos quanto dos vasos sanguíneos.

As mudanças no tamanho dos capilares levam quase sempre à formação de microaneurismas, por estrangulamento dos mesmos, permitindo o extravasamento de plasma para o interstício em conjunto com algumas citocinas e linfócitos reforçando esta desordem.

Dentre as principais causas da celulite podem-se citar os hormônios, principalmente o estrogênio, o comprometimento vascular e a genética da mulher.

Existem também fatores predisponentes (idade, obesidade, distúrbios circulatórios), determinantes (estresse, fumo, desequilíbrios glandulares, diabetes, maus hábitos alimentares e disfunção hepática), além de condicionantes (aumento da pressão capilar, dificuldade de reabsorção linfática e acúmulo de água nos espaços intercelulares).

O tratamento para esse distúrbio estético deverá abordar todos os aspectos, assim como descobrir as causas da retenção de líquido (edema) e favorecer a desintoxicação da matriz.

Alguns nutrientes sobressaem-se na terapia nutricional para celulite, destacam-se: ácidos graxos essenciais (principalmente o ômega 3); vitaminas (complexo B, A, C, E, D); minerais (magnésio, zinco, boro, manganês, molibdênio, selênio, cromo.); aminoácidos; colágeno hidrolisado; destacam-se também:

Silício orgânico: Facilita a formação de glicosaminoglicanas e do colágeno por fazer parte da enzima prolina hidroxilase; elemento estrutural tecido conjuntivo, regulador metabolismo e divisão celular; atua como co-enzima síntese das macromoléculas; reorganiza glicoproteínas e proteoglicanos; modifica permeabilidade capilar venosa e linfática; estimula síntese de AMPc e hidrólise de triglicerídeos (tecido adiposo). Importante lembrar que o refinamento de cereais reduz o conteúdo de silício.  Fonte: Aveia, cevada, salsa, nabo, avelã, feijão, centeio, banana, alho.

Boro: Mantém alinhadas as fibras elásticas, serve de substrato para formação das glicosaminoglicanas na matriz extracelular, participa nos processos de renovação celular e regulação do metabolismo basal do tecido adiposo. Fonte: vegetais folhosos escuros, algas, rabanete e frutos do mar.

Vitamina C: A vitamina C é um importante cofator na síntese de colágeno: hidroxilação de aminoácidos lisina e prolina, aumento de RNA mensageiro de pró-colágeno e excreção de pró-colágeno ao espaço extracelular, entre outros. A boa produção de colágeno poderá garantir uma melhora na textura da pele e hidratação, minimizando os efeitos do infiltrado dérmico na celulite.


Resveratrol: Princípio bioativo muito estudado nos últimos anos pela alta capacidade antioxidante e propriedade anti-inflamatória. Participa ativamente como protetor para flexibilidade dos vasos sanguíneos. Uma fonte de resveratrol que se estuda muito atualmente é o da uva, na forma de sucos e vinhos.

Segue alguns alimentos que merecem destaque por conterem compostos enxofrados, hepatoprotetores, ativadores de desintoxicação, atividade antioxidante, antiinflamatórios e alimentos que estimulam glutationa (relacionada com a melhora da toxicidade hepática e proteção contra lesões oxidativas).

Extrato de alho envelhecido, gengibre, capsaicina da pimenta vermelha, cebola, aveia, linhaça, alecrim, chá verde, açafrão da terra.

Vale ressaltar que será a individualidade bioquímica de cada paciente que irá determinar a melhor conduta nutricional e escolha do alimento ou do princípio ativo correto e mais eficaz. 

Texto elaborado por: Dr. Renato Parreira Palhares
CRM: 52.77429-4
Medico Cirurgião

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